Tipos de incisão na mamoplastia: como a via de acesso é escolhida

Por Dr. Ricardo Palácio · Cirurgião Plástico (CRM-MA 7418 · RQE 2207) · 21 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

Muita gente chega ao consultório perguntando pela prótese e esquece de um detalhe que pesa bastante no resultado final: por onde a cirurgia vai entrar. A via de acesso define onde ficará a cicatriz, mas também influencia o quanto o cirurgião enxerga durante o procedimento e o quanto consegue controlar o posicionamento do implante.

O que é a via de acesso e por que ela importa

A via de acesso é o caminho pelo qual o cirurgião chega ao espaço onde a prótese será posicionada ou onde o tecido mamário será remodelado. Ela não é apenas uma questão estética. A escolha interfere na visibilidade do campo operatório, na precisão do descolamento e no controle do sangramento, três fatores que se traduzem em simetria e previsibilidade no médio prazo.

Por isso a conversa sobre incisão não deve começar pela preferência estética isolada. Ela começa pela anatomia da paciente, pelo tipo de implante escolhido e pelo objetivo do procedimento, e só então chega ao aspecto da cicatriz.

Incisão no sulco inframamário

O sulco inframamário é a dobra natural abaixo da mama. É a via mais utilizada no mundo e costuma ser a preferida quando se busca controle máximo do bolso do implante, porque oferece a visão mais direta do plano de colocação.

  • Cicatriz escondida na dobra, geralmente pouco visível com a paciente em pé.
  • Acesso amplo, o que facilita o ajuste fino da simetria.
  • Permite trabalhar com implantes de perfis e volumes variados sem forçar a passagem.
  • Exige marcação cuidadosa antes da cirurgia, já que o sulco muda de posição depois do implante.

Incisão periareolar

Feita na borda inferior da aréola, aproveita a transição de cor entre a pele da aréola e a pele da mama para disfarçar a cicatriz. Costuma ser considerada quando a aréola tem diâmetro suficiente e quando o plano cirúrgico envolve algum ajuste do próprio complexo areolopapilar, como em correções de assimetria ou em mastopexias associadas.

Em contrapartida, é uma via que atravessa tecido glandular e ductos, algo que precisa ser discutido caso a caso, sobretudo com pacientes que planejam gestação. A qualidade final da cicatriz também depende bastante da resposta individual de cicatrização.

Incisão axilar e outras vias

A via axilar posiciona a cicatriz na dobra da axila, fora da mama. É uma alternativa procurada por quem deseja evitar qualquer marca no contorno mamário. Em compensação, o acesso é mais indireto, o que costuma exigir instrumental específico e experiência do cirurgião com a técnica, e o ajuste de casos assimétricos tende a ser mais trabalhoso.

Ponto de atenção: nenhuma via de acesso elimina a cicatriz. Toda cirurgia deixa marca. O que muda é a localização, a extensão e o quanto ela se dilui no relevo natural do corpo ao longo dos meses.

O que realmente define a escolha

Na prática, a decisão nasce do cruzamento de vários fatores avaliados em consulta:

  • Diâmetro e pigmentação da aréola.
  • Distância entre a aréola e o sulco, e a qualidade da pele.
  • Volume e perfil do implante planejado.
  • Plano de colocação escolhido, subglandular, submuscular ou dual plane.
  • Histórico pessoal de cicatrização, incluindo queloide em outras regiões.
  • Necessidade de corrigir ptose ou assimetria no mesmo tempo cirúrgico.

Como a cicatriz evolui depois

Independentemente da via escolhida, a cicatriz passa por fases. Nas primeiras semanas costuma ficar avermelhada e um pouco endurecida, o que é resposta inflamatória esperada. A partir do terceiro mês, tende a clarear e amaciar de forma gradual, e o aspecto definitivo geralmente só é avaliado depois de um ano.

Proteção solar rigorosa na região, uso de curativos ou géis conforme orientação e acompanhamento nos retornos são o que mais influencia esse desfecho. Fumo, tensão excessiva sobre a sutura e retorno precoce a esforços físicos jogam contra.

Se você quer entender qual conduta faz sentido para o seu caso, o caminho seguro é uma avaliação presencial com um cirurgião plástico em São Luís com registro ativo e título de especialista, que possa examinar você e explicar riscos, alternativas e limites de cada técnica.

Perguntas frequentes

A incisão no sulco inframamário fica muito visível?

Na maioria das pacientes a cicatriz fica alojada dentro da dobra natural da mama e passa despercebida na posição em pé. Deitada ou com o braço elevado ela pode aparecer. O aspecto final depende também da resposta individual de cicatrização e dos cuidados no pós-operatório.

A via periareolar interfere na amamentação?

É uma via que passa por tecido glandular, então o tema precisa ser discutido em consulta com quem planeja engravidar. Muitas pacientes amamentam normalmente depois de mamoplastia, mas nenhuma técnica garante isso de forma absoluta, e essa conversa deve ser individualizada.

Posso escolher a incisão que eu quiser?

A preferência da paciente é sempre ouvida, mas a via precisa ser compatível com a anatomia e com o implante planejado. Insistir em um acesso inadequado para o caso pode comprometer a simetria e a segurança do resultado, e o cirurgião deve explicar com clareza quando isso acontece.

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